quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Intrigante


Intrigante


Queria saber por que me intrigas tanto.
Eu apenas te vejo por um momento;
Eu que mal entendo de sentimento
Me pego vestindo esse manto.

Sem nexo, inexplicável
É simplesmente irrefutável.
Os acordes voam
Os pássaros ecoam.

Hipnotismo ou sarcasmo
Eu simplesmente não entendo;
Como encontrei esse espasmo
Apenas com o que estou vendo.

Mas, porque isso me intriga.
Eu que só queria conhecer
O sentido do que eu podia ver
Ponho-me entre ti, mim e uma intriga.

O pensamento simplesmente...
Simplesmente sente.
Quando o vento me disse
Para que olhasse para o lado e visse...

O tempo eu não me lembro,
O cheiro o momento... Chovia!
Eu simplesmente parei.

Estático todos os membros
Nada em mim se movia.
Contigo eu apenas me deparei.

Gabriel de Alencar

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

O falso assassíno


O falso assassíno


As notas estão pendentes;
A poesia esta falhada.
A musa é apenas uma fachada
Criada de sombras e mentes.

Quem o fez poeta e céu?
Que da noiva o rendado véu.
Não o tens por o mais interessante
E melhor suporte...

E se o tem... Por amor o assassínio
Como a garganta ao falso vinho;
Mais me vale vomitar esse amor
Que engolir esta morte.


Gabriel de Alencar

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Ode a uma mulher


Ode a uma mulher


Não te exaltarei como uma rainha
Ou como primavera e flor
Mas apenas a nobre dor
De uma musa que não é minha

De baixo a cima, bordada
Sem nenhuma peculiaridade,
Coberta de diafaneidade
De uma típica mulher amada

Com seus defeitos e qualidades
Sem nenhum acréscimo
Do primeiro ao vigésimo
Com todas as mentiras e verdades

Se fica triste ela chora,
E quando demora,
Alguém aos poucos morre...


Gabriel de Alencar

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Infanticida


Infanticida

Vejo a sombra em seus olhos
A perpetuar na tua alma fugida...
Eu nunca vou me esquecer
Daquelas palavras vazias.

Sem perceber você esqueceu
Da promessa feita a uma criança.
De guardar em tua memória
Uma parte daquele pequeno coração...

E agora onde está o cheiro, os olhos
Onde está o toque daquela mão
Tão pequenina, tão calma.

Porque não lembraste
Da pobre criança pertubada,
A qual destes um sonho.

Gabriel de Alencar

terça-feira, 13 de julho de 2010

As Vendas


As Vendas

A tua discrepância salvou-me os versos,
Inertes nas vias cranianas.
Totalmente distantes imersos
Numa onda de sagacidades levianas.

A tua sombra me incubiu da tua luz
E em meu seio guardo-a,
Moldo-a
E transformo-a em cruz.

Para que carregues
Para que aprendas
E as tuas vendas
Enchergues...

(Gabriel de Alencar)

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Passado


Passado

A menina ainda vive no passado
Na memoria o triste desdém...
Eu ainda vivo da sombra dela.
E a sombra sangra singela,
Mais só e pura;
Que a luz escura
De um sol de primavera.

Gabriel de Alencar

O rosto


O rosto


É –me estranho esta face
No espelho reflete disforme
Com olhos fundos. Ainda dorme
O disfarce.

As vias do tempo não param
E aonde pararam
Os meus nervos?

O abrupto coração de pedra.
Inda sangra despercebido.
Inda sangrará inibido
Como a musica sem letra.

As vias do tempo não param
E onde pararam
Os meus medos?

O tempo passa.
O meu rosto novamente
Disfarça
E mente.


(Gabriel de Alencar)