terça-feira, 13 de julho de 2010

As Vendas


As Vendas

A tua discrepância salvou-me os versos,
Inertes nas vias cranianas.
Totalmente distantes imersos
Numa onda de sagacidades levianas.

A tua sombra me incubiu da tua luz
E em meu seio guardo-a,
Moldo-a
E transformo-a em cruz.

Para que carregues
Para que aprendas
E as tuas vendas
Enchergues...

(Gabriel de Alencar)

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Passado


Passado

A menina ainda vive no passado
Na memoria o triste desdém...
Eu ainda vivo da sombra dela.
E a sombra sangra singela,
Mais só e pura;
Que a luz escura
De um sol de primavera.

Gabriel de Alencar

O rosto


O rosto


É –me estranho esta face
No espelho reflete disforme
Com olhos fundos. Ainda dorme
O disfarce.

As vias do tempo não param
E aonde pararam
Os meus nervos?

O abrupto coração de pedra.
Inda sangra despercebido.
Inda sangrará inibido
Como a musica sem letra.

As vias do tempo não param
E onde pararam
Os meus medos?

O tempo passa.
O meu rosto novamente
Disfarça
E mente.


(Gabriel de Alencar)

domingo, 13 de junho de 2010

Ao final da meia noite


Ao final da meia noite


Meia noite, os peitos sedentos.
As mãos deslizam por entre corpos,
As bocas se estalam, as veias dilatam.
E dois corações se abraçam...

Meia noite, vejo-te a soluçar.
Um choro incontido a amar
A minha espera o meu rosto.
O meu amor ou o meu desgosto...

Meia noite, a noite é bela.
A criança está machucada.
- Tú não me amas mais?
- Não mais minha camélia.

Teu amor é flor sem cheiro
Uma mentira que cresceu
Em um coração vazio, deixando
Uma sensação desgradavel.


(Gabriel de Alencar)

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Tua minha felicidade




Tua minha felicidade


Eu estava perdido a beira da loucura,

Estava tão quieto na minha dor

Apegado com tanto ardor,

Que não conseguia sequer uma nota pura.


Vi-te passar ao meu lado um momento.

E percebi na tua face risonha

Uma menina que ainda sonha

Em me salvar deste relento.


Com uma fala branda, palavas macias.

Achegaste ao meu lado

Tu rias.


Mas qual o motivo de tanta alegria?

Tu apenas me disseste – de fato!

E sorria...



(Gabriel de Alencar)

Amor monólogo


Amor monólogo

Junto ao teu peito a murmurar...
Suplico um beijo na inquietude,
No fervor de um acalento. Num amar
Humilde de tuas palavras e atitudes.

No teu colo em tuas curvas
No deslize da mão à cintura
O cheiro do teu corpo. As mente turvas,
Entre meus toques desfloras em ternura...

Então já lânguida dos abraços.
Um beijo tento-te roubar;
Mas as mãozinhas afastam os laços,
Que nos unem que nos ensinam a amar...

- Porque repudias meus braços, meu beijo?
- Por quê? Teu amor não me pertence
E por mais que eu pense
É apenas um monólogo que vejo...

(Gabriel de Alencar)

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Os dias que não voltam


Os dias que não voltam


Os dia que não voltam,
São aqueles que acabam na memória,
Que aos poucos se perdem
E a muitos enlouquecem e ferem.

Os dias fantasmas: assim os chamo,
Pois vagam em nosso crânio
Como um passado distânte,
Que imploramos para esquecer...

Podem ser dias de gloria
Dias de amores,
Mas são apenas dias que passam,
E marcam...


Gabriel de Alencar