sábado, 5 de dezembro de 2009

Meu mundo


Meu mundo


Onde estão os olhos que me amam?
Por que não vejo suas lágrimas
Por que não às vejo,
Por que não caem...

Onde está o abraço prometido
O aperto que não sinto.
- Onde estás!

Aonde posso encontrar?
O toque de uma mão, uma lagrima apenas.
Por que não escuto meus gritos;
Minha dor.

Por que meu mundo está tão frio
E se o sol brilha no céu
Porque não sinto seu calor?

- Penso deve ser noite!
Em um mundo que não existe pros outros
Criado em minha mente e recriado cada dia
Em noites frias, frias noites cria;
Um mundo de temores.



Gabriel de Alencar

terça-feira, 27 de outubro de 2009

O Certo ou o Vício


O Certo ou o vício

O Certo ou o vício na fronte espasma... Um susto vitalício arruína a fala.
O medíocre assume o mudo e a garganta rasgada, ainda necessitam do grito irritante na ignomínia postergaste da ruína...

Uma ferida ainda latente, disseminada no ar como uma bactéria degradante de toda a vida;
Uma sorte tão esquecida pela humanidade que é lembrada senão em uma fatalidade ou em uma carnificina...

Apenas hipócritas lamentam cobrindo a realidade com lágrimas famintas de sangue e ''amor'', qual esse está a parecer algo sem nome caminho e razão...

(Gabriel de Alencar)

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Castitatis Lilium



Castitatis Lilium




De grande coração, bendita!
E a alma serena, a calma emoção.

Trazei teu amor ao meu coração
Santa mulher de minh’alma cativa.

Dá-me a angustia do olhar teu,
Em meu rosto transborda a tua serenidade;
Graciosa rainha da castidade.
Tomai o coração meu;

Fazei dele doce musica

Santa peregrina de alma rústica

A sonhar nos braços meus.


E nos teus sussurros, na tua languidez,

Perco-me em completa embriaguez

No teu coração de Lithium.

- Oh! Castitatis Lilium.


(Gabriel de Alencar)

Pintura


Pintura


Límpidos olhos, vagos, frios
E mansos olhares confusos,
Ao longe na alma, a calma, os sustos,
O anjo banhava nos rios

Na face quem o diria
Que a bela a criatura sorria.
Qual o poeta não daria a vida
Por uma memória tão vivida.

Sim! Nunca foi real,
Pois a bela criatura na pintura,
Com toda essa beleza pura;
Ainda me parece um animal.



(Gabriel de Alencar)

Sem Rumo


Sem Rumo


Ébrio nas calçadas do paraíso
Caminho rente o abismo
Da loucura e do riso,
Da perfidêz e mercenarísmo.

Redundantes são meus passos
Em cada coração de aço,
Que se sujeitam ao ridículo,
De tão repugnante vinculo.

Nisso! A mente vazia caminha,
Sem linha e campainha
Na porta da razão.
Esse épico raciocínio lógico da confusão.

Nos algarismos, na ciência o espiritualismo.
Tanto me assombra o velho mundanismo.
A minh'alma frágil de cristão...


(Gabriel de Alencar)

Hipocrisía


Hipocrisia

De garrano servi eu às donzelas
E na minha hipocrisia eram até belas.
- Ainda bem! Era apenas hipocrisia,
Mas me vale beijar a mão de um leproso,
Que ser o teu esposo;
E abraçar a vaidade do teu dia...



(Gabriel de Alencar)

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Senhor das Palavras


Senhor das Palavras


Oh! Complexo dicionário,
Meu fiel amigo honorário.
Senhor das palavras e dos significados.
Companheiro dos poetas e seus fardos;

Conjuntor das frases e definições.
Diafaneidade dos versos, das acústicas,
Príncipe erudito das músicas.
Criador de idéias e canções.

Ignoto pai de lendas e mitologias,
Com seus mitos e neologias;
Que ninguém consegue decifrar...

És tu o antecessor das primaveras;
Pois, até mesmo as quimeras,
Acham frio o teu modo de falar.



Gabriel de Alencar