segunda-feira, 13 de setembro de 2010

O falso assassíno


O falso assassíno


As notas estão pendentes;
A poesia esta falhada.
A musa é apenas uma fachada
Criada de sombras e mentes.

Quem o fez poeta e céu?
Que da noiva o rendado véu.
Não o tens por o mais interessante
E melhor suporte...

E se o tem... Por amor o assassínio
Como a garganta ao falso vinho;
Mais me vale vomitar esse amor
Que engolir esta morte.


Gabriel de Alencar

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Ode a uma mulher


Ode a uma mulher


Não te exaltarei como uma rainha
Ou como primavera e flor
Mas apenas a nobre dor
De uma musa que não é minha

De baixo a cima, bordada
Sem nenhuma peculiaridade,
Coberta de diafaneidade
De uma típica mulher amada

Com seus defeitos e qualidades
Sem nenhum acréscimo
Do primeiro ao vigésimo
Com todas as mentiras e verdades

Se fica triste ela chora,
E quando demora,
Alguém aos poucos morre...


Gabriel de Alencar

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Infanticida


Infanticida

Vejo a sombra em seus olhos
A perpetuar na tua alma fugida...
Eu nunca vou me esquecer
Daquelas palavras vazias.

Sem perceber você esqueceu
Da promessa feita a uma criança.
De guardar em tua memória
Uma parte daquele pequeno coração...

E agora onde está o cheiro, os olhos
Onde está o toque daquela mão
Tão pequenina, tão calma.

Porque não lembraste
Da pobre criança pertubada,
A qual destes um sonho.

Gabriel de Alencar

terça-feira, 13 de julho de 2010

As Vendas


As Vendas

A tua discrepância salvou-me os versos,
Inertes nas vias cranianas.
Totalmente distantes imersos
Numa onda de sagacidades levianas.

A tua sombra me incubiu da tua luz
E em meu seio guardo-a,
Moldo-a
E transformo-a em cruz.

Para que carregues
Para que aprendas
E as tuas vendas
Enchergues...

(Gabriel de Alencar)

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Passado


Passado

A menina ainda vive no passado
Na memoria o triste desdém...
Eu ainda vivo da sombra dela.
E a sombra sangra singela,
Mais só e pura;
Que a luz escura
De um sol de primavera.

Gabriel de Alencar

O rosto


O rosto


É –me estranho esta face
No espelho reflete disforme
Com olhos fundos. Ainda dorme
O disfarce.

As vias do tempo não param
E aonde pararam
Os meus nervos?

O abrupto coração de pedra.
Inda sangra despercebido.
Inda sangrará inibido
Como a musica sem letra.

As vias do tempo não param
E onde pararam
Os meus medos?

O tempo passa.
O meu rosto novamente
Disfarça
E mente.


(Gabriel de Alencar)

domingo, 13 de junho de 2010

Ao final da meia noite


Ao final da meia noite


Meia noite, os peitos sedentos.
As mãos deslizam por entre corpos,
As bocas se estalam, as veias dilatam.
E dois corações se abraçam...

Meia noite, vejo-te a soluçar.
Um choro incontido a amar
A minha espera o meu rosto.
O meu amor ou o meu desgosto...

Meia noite, a noite é bela.
A criança está machucada.
- Tú não me amas mais?
- Não mais minha camélia.

Teu amor é flor sem cheiro
Uma mentira que cresceu
Em um coração vazio, deixando
Uma sensação desgradavel.


(Gabriel de Alencar)