domingo, 13 de junho de 2010

Ao final da meia noite


Ao final da meia noite


Meia noite, os peitos sedentos.
As mãos deslizam por entre corpos,
As bocas se estalam, as veias dilatam.
E dois corações se abraçam...

Meia noite, vejo-te a soluçar.
Um choro incontido a amar
A minha espera o meu rosto.
O meu amor ou o meu desgosto...

Meia noite, a noite é bela.
A criança está machucada.
- Tú não me amas mais?
- Não mais minha camélia.

Teu amor é flor sem cheiro
Uma mentira que cresceu
Em um coração vazio, deixando
Uma sensação desgradavel.


(Gabriel de Alencar)

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Tua minha felicidade




Tua minha felicidade


Eu estava perdido a beira da loucura,

Estava tão quieto na minha dor

Apegado com tanto ardor,

Que não conseguia sequer uma nota pura.


Vi-te passar ao meu lado um momento.

E percebi na tua face risonha

Uma menina que ainda sonha

Em me salvar deste relento.


Com uma fala branda, palavas macias.

Achegaste ao meu lado

Tu rias.


Mas qual o motivo de tanta alegria?

Tu apenas me disseste – de fato!

E sorria...



(Gabriel de Alencar)

Amor monólogo


Amor monólogo

Junto ao teu peito a murmurar...
Suplico um beijo na inquietude,
No fervor de um acalento. Num amar
Humilde de tuas palavras e atitudes.

No teu colo em tuas curvas
No deslize da mão à cintura
O cheiro do teu corpo. As mente turvas,
Entre meus toques desfloras em ternura...

Então já lânguida dos abraços.
Um beijo tento-te roubar;
Mas as mãozinhas afastam os laços,
Que nos unem que nos ensinam a amar...

- Porque repudias meus braços, meu beijo?
- Por quê? Teu amor não me pertence
E por mais que eu pense
É apenas um monólogo que vejo...

(Gabriel de Alencar)

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Os dias que não voltam


Os dias que não voltam


Os dia que não voltam,
São aqueles que acabam na memória,
Que aos poucos se perdem
E a muitos enlouquecem e ferem.

Os dias fantasmas: assim os chamo,
Pois vagam em nosso crânio
Como um passado distânte,
Que imploramos para esquecer...

Podem ser dias de gloria
Dias de amores,
Mas são apenas dias que passam,
E marcam...


Gabriel de Alencar

quarta-feira, 31 de março de 2010

Orquestra de Rosas


Orquestra de rosas


A rosa do poeta é o verso.
Rosas-verso em harmonia
Em cada acorde, em cada rima
Canção e poesia
Tocadas pelo maestro coração;
Um buquê de rosas...


Gabriel de Alencar

sábado, 27 de março de 2010

Dúvida


Dúvida


Não te importas comigo,
Mas não me dizes se me odeia;
Apenas me prendes nessa teia.
Na duvida de ser teu amigo.

Não me olhas com verdade,
Ou minha mente assim o diz;
Só me lembro que tudo o que fiz
Foi para ver um riso teu de sinceridade.

Que o poeta mais louco de amores o diga,
O quanto doi essa grande amiga;
Que todos chamam dúvida.

Já a mim, não mais me importa
Essa desgraçada rima torta
Da dúvida e a vida.


Gabriel de Alencar

sexta-feira, 26 de março de 2010

Enquanto


Enquanto


Enquanto sorris muda
A escutar o som da chuva a cair,
Enquanto ainda calada como a branca lauda
Vê o som da vida surgir.

Enquanto nessa entreaberta manhã de chuva
Com as mãozinhas frias abraçadas numa luva
Como o sol entre as nuvens a abraçar
O doce orvalho das flores a desabrochar

Fita ao mesnos um olhar
Nesse branco-ciza a clarear
E lembra nem que seja por um segundo
Que um dia eu estive no teu mundo


(Gabriel de Alencar)